Os 10 principais desafios no controle de cupim de madeira seca

Os 10 principais desafios no controle de cupim de madeira seca

Por: Rosangela Vieira Cassenote – Bacharela e Mestre em Química – Consultora de pesquisa e desenvolvimento de produtos e soluções ambientais. Responsável Técnica em empresas do ramo de controle de pragas.

O processo de controle de cupins já inicia desde o primeiro contato com o cliente, através da elaboração do plano estratégico para a prestação do serviço.

Algumas questões certamente surgirão e precisam de atenção especial, a seguir, iremos listar e responder a essas 10 questões através do relato pontual de exemplos em situações práticas vivenciadas ao longo dos últimos 30 anos no ramo de controle de pragas:

Essas questões fazem parte de uma etapa fundamental no controle de pragas: a INSPEÇÃO.

1 – Qual espécie de cupim de madeira está infestando o local?

Saber identificar a diferença entre as principais espécies de cupim que podem estar presentes em um ambiente, sendo os mais comuns o cupim de solo, cupim de madeira seca, cupim de montículo e o cupim arborícola.

O conhecimento da espécie auxilia no diagnóstico e controle de infestações, sendo o ponto de partida para sugerir uma técnica de controle adequado.

O cupim subterrâneo ou cupim de solo ( Coptotermes sp.- Heterotermes sp. – ) conforme a localização podem ser aéreos ou subterrâneos. Fazem túneis subterrâneos que podem vir da área externa para dentro das edificações para buscar a celulose por dentro da construção. Podem fazer no meio do caminho colônias secundárias.

O cupim de madeira seca (Cryptotermes brevis) alimenta-se a habita dentro da madeira, desenvolve-se lentamente, assim, após a entrada do cupim em uma peça ou estrutura de madeira, poderá levar anos para a percepção da deterioração caso não haja uma aplicação preventiva. A visualização dos indivíduos nas revoadas, as fezes em forma de grânulos (bem característico ao senso comum) são sinais de alerta para se tomar uma medida de controle.

Todo ano existe a revoada de cupim de madeira seca, sendo assim, pode ser inserida a prática de oferecer um tratamento preventivo ao cliente em tempos de temperaturas mais amenas e propor assistência técnica periódica evitando novas revoadas provenientes de ninhos que estejam naquele ambiente.

2 – Qual o tipo de madeiramento será tratado?

Identificar os tipos de madeiramento como MDF, aglomerados. madeiramento bruto, pisos laminados, portas que podem aparentar ser de material maciço, entretanto, atualmente são fabricadas com colmeias de papelão e as lâminas externas são coladas com cola à base de PVC, e certamente poderá ocorrer o empenamento em contato com a umidade.

3 – Qual o tipo de revestimento nas superfícies a serem tratadas?

Superfícies envernizadas, com tintas acrílicas, são revestimentos que impedem a infiltração da calda para controle de cupim de madeira seca, neste caso é necessário avaliar a necessidade de remoção do revestimento ou utilizar outra técnica como a injeção de produtos para chegar até as galerias ou canais em que os cupins estejam presentes. Em outros casos é necessário perfurar a peça, geralmente em diagonal, utilizando a menor broca para evitar o menor dano possível à peça.

Cada caso precisa ser bem avaliado para a escolha da melhor técnica e produtos. Procurar os pontos que já estejam abertos por conta da atividade dos cupins, pois nem sempre a pulverização é a melhor técnica a ser empregada, nestes casos geralmente a injeção será a melhor técnica. Em outros casos, não será possível utilizar produto líquido, então será necessário uma formulação diferente ou equipamentos específicos.

4 – Quais são os principais pontos críticos da edificação?

Para que o profissional elabore um orçamento em que seja cobrado o valor justo e adequado ao nível de complexidade de cada local é necessário que sejam observados previamente e minuciosamente toda a parte estrutural superior acima do forro. Deve-se verificar a parte elétrica (alguns casos é recomendável interromper a energia), hidráulica (observar canos, curvas e demais sistemas hidráulicos que possam romper), o tipo de forro, se há gesso, coberturas que possam de deteriorar em contato com líquidos, lã de vidro, revestimento térmico, reservatórios de água e se haverá necessidade de chamar uma equipe especializada para trabalhar em conjunto e evitar danos que possam ser causados ao patrimônio do cliente.

Frequentemente na descupinização em telhado ocorre a necessidade de destelhamento. Caso a equipe não seja treinada para manusear as telhas, andar sobre as vigas ou usar o equipamento de segurança adequado, deve-se procurar incluir neste trabalho especialistas parceiros que saibam a maneira correta e segura de se movimentar sob e sobre as telhas. São requeridos profissionais que tenham a certificação NR 35 e experiência com trabalhos em altura evitando assim transtornos desnecessários. É frequente surgir nos noticiários acidentes com pessoas que trabalham em altura.

A questão de móveis, portas, janelas, paredes, edifícios históricos, objetos e peças raras, são também pontos críticos que necessitam atenção redobrada na observação das medidas de segurança, técnica empregada e produto correto para cada tipo de situação durante todo o processo de controle do cupim de madeira.

5 – Quais são as situações de risco econômico ao cliente?

Relatos de incêndios, peças raras e de patrimônio histórico danificadas, inchamento de peças de madeira, manchas em móveis, danos em carpetes e cortinas.

Todos esses prejuízos podem ser evitados quando o profissional se capacita e tem conhecimento das corretas formas de aplicação e utiliza produtos que sejam indicados para aquela determinada situação empregando as técnicas corretas. Seja pulverização, injeção ou pincelamento é preciso saber empregar a metodologia e os equipamentos corretamente.

Evitar a saturação e encharcamento de peças principalmente quando a peça infestada for de aglomerado, MDF, compensado naval, portas e janelas, dependendo o tipo de peça de madeira, qualquer umedecimento pode resultar em inchaço da peça.

6 – Quais são as situações de risco à saúde ocupacional?

Observar sempre a correta utilização dos EPIs, evita problemas de saúde ao operador. Toda e qualquer operação que envolva o manuseio de produtos inseticidas é imprescindível o uso de máscaras de gases orgânicos e óculos de proteção para proteger a saúde do profissional operacional, além é claro, de todo o traje, sapatos fechados, proteção para a cabeça, como já é de conhecimento.

Qualificação adicional como NR 35 para trabalhos em altura também podem evitar situações de risco, e mesmo tendo este tipo de capacitação o profissional precisa evitar o sentimento de autoconfiança que o impele a muitas vezes ignorar os sistemas de segurança e aventurar-se em práticas visando o ganho de tempo.

O serviço de controle de cupim de madeira exige muita paciência, dedicação, em alguns casos vários retornos e por isso toda a atenção é requerida.

7 – Qual será o melhor cupinicida e diluente a ser aplicado?

Nos anos 80/90 ainda era comum o uso de Querosene, Óleo Diesel, Óleo queimado, Aguarrás como diluentes. Entretanto, o risco de incêndio, o forte odor e o risco à saúde dos envolvidos na operação, as normas ambientais e a profissionalização do setor de controle de pragas, são preocupações que estão proporcionando às pessoas uma nova maneira de comprar e vender esse tipo de serviço.

Encontramos atualmente uma grande variedade de moléculas inseticidas/cupinicidas indicadas como eficientes para o controle de cupim de madeira seca, sendo: Fipronil, Permetrina, Etofenproxi, Deltametrina, Bifentrina, Cipermetrina, Cyfluthtin, Diclorvós-DDVP, Imidacloprid, Lambda-Cialotrina, D-Cifenotrina+Imiprotrin+Permetrina, Fipronil + Pyriproxyfen + Alfa-cipermetrina, Imidacloprid+Lambda-cialotrina.

Cada profissional irá escolher a melhor molécula e sua respectiva formulação conforme a melhor oferta feita pelo fabricante sempre tendo em vista o custo benefício e os resultados que obtém em campo.

Tendo em mãos todos os dados da inspeção prévia e documentos de execução do serviço, o profissional irá formular a calda inseticida. Para isso, irá diluir o cupinicida em um diluente. Os rótulos de inseticidas em grande maioria indicam como principal diluente a água, entretanto, conforme o tipo de madeira e o local em que será aplicado pode-se optar também por Isoparafina e o Politrox.

O Politrox é um diluente não inflamável, de suave odor e que possui um alto poder de infiltração em madeiras formando uma película polimérica invisível de proteção adicional. É indicado principalmente para o tratamento de madeiramento bruto encontrado em telhados.

A seguir a imagem ilustra testes realizados comparativos de infiltração em Pinus sp.dos diluentes Politrox, Querosene, Óleo Diesel e Água.

8 – Quais serão os equipamentos necessários?

Existem várias máquinas no mercado entre pulverizadoras a bateria, manuais, sistemas estacionários, injetoras, diferentes tipos de bicos, trados, lanças, extensores e até mesmo equipamentos de ondas curtas para peças em que não seja indicado aplicar produto líquido.

O profissional tem uma infinidade de equipamentos a disposição. Cabe orientar e observar a prática das manutenções e da limpeza necessária nas máquinas e equipamentos. Frequentemente ocorre a situação de chegar no cliente e o equipamento a ser utilizado está com vazamento, reparos danificados e em outros casos com entupimento por não ter procedido a lavagem daquele equipamento. Esta prática além de estar descrita no POP de cada empresa deve ser tomada como uma das grandes prioridades do pessoal operacional.

Haverá situações em que pequenos furos transversais e diagonais serão necessários em peças de madeira para que a calda inseticida alcance as galerias do cupim de madeira seca. Deve-se utilizar as brocas com a bitola mais adequada a cada situação, cabe ao profissional fazer a melhor escolha.

9 – Qual colaborador estará disponível e qualificado para aquele serviço?

Atualmente, com a pandemia e toda a reorganização dos setores, todas as novas tecnologias que proporcionam informação em tempo real, está cada vez mais acessível aos profissionais manterem-se atualizados e investirem tempo em agregar conhecimento para se tornarem cada vez mais competitivos e adequados ao mercado de controle de pragas.

Este é o momento da prova real em que, aquele profissional que realmente está buscando conhecimento e atualização irá ter cada vez mais meios acessíveis de obtê-lo. E aquele que não o faz, e desculpa-se, deixa de contribuir para o desenvolvimento do setor.

Entretanto, sabe-se que ainda um dos pontos críticos nas empresas é a rotatividade e a mão de obra que recebe treinamento e capacitação e não o pratica conforme instruído.

Quando a equipe está sincronizada no objetivo de realizar o trabalho com esmero e dedicação o colaborador que realizou a inspeção poderá deixar marcações nos diversos pontos vistoriados, facilitando assim a identificação dos locais onde serão necessárias as injeções.

10 – Quais técnicas serão aplicadas: pulverização, pincelamento ou injeção?

Em qualquer das técnicas escolhidas para o tratamento de madeiras é muito importante atentar-se à limpeza prévia das superfícies para que a calda inseticida/cupinicida atinja a máxima cobertura e infiltração possível.

Na técnica de injeção, os furos em caibros e outras peças mais robustas são realizados na tentativa de encontrar os canais de passagem do cupim de madeira. É recomendável fazer a perfuração em diagonal para alcançar mais galerias com a menor bitola de broca que houver disponível. Em locais onde os furos ficarão aparentes, tão logo seja possível, recomenda-se tampa-los utilizando massa ou resinas para madeira na cor ou utilizar outro material apropriado no intuito de deixar um bom acabamento. Na utilização da furadeira também é importante haver o coletor de pó para evitar poeira no local.

Geralmente, em grande maioria, as residências e estabelecimentos de construção mais antigas não se consegue ter acesso à planta da construção com tanta facilidade, porém quando houver essa disponibilidade da planta, este é um item que pode facilitar a identificação de pontos para a perfuração de madeiramento sem o risco de atingir a rede elétrica e hidráulica. Em situações de caixão perdido e outras similares é interessante ter a disposição um boroscópio para auxiliar a visualização de locais de difícil acesso. Entretanto, na execução prática as coisas podem se tornar bem complexas.

Na pulverização, deve-se observar e cuidar referente a quantidade de produto que irá aplicar pois pode escorrer a calda pelas paredes, causar manchas em móveis e assoalhos que sejam atingidos por conta de goteiras que se formam pelo excesso de calda aplicada. Igualmente deve-se ter o cuidado quando pulverizar outras superfícies e peças de madeira, quando se pretende controlar melhor a quantidade a técnica do pincelamento pode ser uma ótima alternativa.

O controle da gota na pulverização pode ser obtido com a escolha do bico adequado, e também procedendo à correta manutenção e troca periódica dos reparos da caneta de pulverização, além é claro do bom senso e treinamento do profissional operacional que aplica a calda inseticida/cupinicida.

Uma prática importante que pode ser observada é incluir no material de controle de cupim de madeira, itens que possam prevenir situações de danos como por exemplo: panos limpos, lonas, aspirador de pó e líquido, etc.

 

Fonte: Pragas & Eventos

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