Tecnologia de Aplicação de Inseticidas

Tecnologia de Aplicação de Inseticidas

O inseto é o alvo eleito para ser atingido pelo processo de aplicação do Inseticida. Para que o resultado seja o esperado é fundamental que se conheça a praga que vamos controlar para evitarmos maiores perdas da calda, pois nunca conseguiremos aplicar a dose exata para matarmos todos os indivíduos de um determinado local, uma parte desta calda é perdida.

Suponha, por exemplo, que a dose letal de um determinado inseticida para uma barata seja de 0,03µg. Suponha que em 1.000 m² exista uma população de 1 milhão de baratas.

Seriam necessários, então, somente 30 mg desse inseticida para matar todas as baratas, se fosse possível colocar todo o inseticida sem perda, isto é, com a eficiência de 100% na aplicação.

Na esmagadora maioria das aplicações líquidas a calda é fragmentada em partículas denominadas gotas. As gotas tem comportamento diferente de acordo com seu tamanho.

Um dos parâmetros mais importantes no controle de vetores é a maneira pela qual o inseticida é depositado sobre determinada superfície ou sobre o próprio organismo alvo.

Os inseticidas usados no controle de vetores usam como via de dispersão do produto, água, forma-se assim, uma calda onde o produto se encontra na concentração desejada, respeitando-se a área a ser tratada a fim de se manter a concentração adequada do ingrediente ativo por unidade de área. Este fato está ligado a características do produto e ao diluente.

TENSÃO SUPERFICIAL

A água apresenta alta tensão superficial. Isso faz com que a gota depositada numa superfície permaneça na forma esférica, fazendo com que tenha pouca superfície de contato. Quando da evaporação da água o inseticida ficará concentrado em pequenos pontos com uma distribuição irregular. Para corrigir este problema se adiciona um agente tensoativo (ou surfactante) que lhe diminua a tensão superficial. São os espalhantes-adesivos.

As formulações comerciais apresentam em sua composição estes tensoativos que são os espalhantes adesivos. Com isto a gota se espalha facilmente na superfície, molhando maior área. Outras vezes, há necessidade de adição desses agentes tensoativos quando a formulação não é de boa qualidade.

EVAPORAÇÃO

A superfície de uma gota é relativamente grande se comparada ao volume. Isto mostra que a taxa de evaporação de uma gota cresce com a diminuição do diâmetro. O aumento da temperatura ambiental e a diminuição da umidade relativa do ar também aumentam a evaporação, assim muitas gotas evaporam-se completamente no trajeto entre a máquina e o alvo. Os sistemas de ultra-baixo volume que trabalham com gotas muito pequenas, utilizam como veículo do produto ativo, formulações com óleos minerais o que diminui o índice de evaporação da mistura. Se a gota atinge rapidamente o alvo, haverá menor tempo de evaporação.

Gotas do mesmo diâmetro podem ter comportamentos diferentes, se diferentes forem as condições ambientais, como mostram os dados da tabela abaixo.

DERIVA

Outro fator associado ao seu tamanho (e peso), é que as gotas podem sofrer influências das correntes de ar horizontal (vento) e vertical (convecção), sendo levadas para outros lugares que não o alvo pretendido. As gotas que ficam flutuando ou que se evaporam por completo deixam em suspensão o ingrediente ativo que pode ser carregado a distâncias consideráveis, causando problemas de poluição ou algum dano à saúde humana/animal, sensíveis àquele produto.

O problema da evaporação e da deriva devem ser analisados em conjunto, uma vez que à medida que perde peso por evaporação fica mais leve desviando-se mais rapidamente do seu objetivo. Por isso, um detalhe dos mais importantes a ser considerado em uma pulverização é a definição das características da pulverização (tamanho da gota e seu espectro) uma vez analisadas as condições do trabalho a se executar.

O aumento da vazão de aplicação tem influência direta sobre o diâmetro da gota. E consequentemente à quantidade de gotas. Quanto maior o número de gotas depositadas (densidade) sobre o alvo, maior será a dose recebida pelo mesmo, melhorando a eficácia do controle. Da mesma forma o aumento da vazão gera gotas menores e por isto mais
sujeitas à evaporação e deriva.

Formulações oleosas quando aplicadas por termonebulizadores ou UBV, produzirão gotas finíssimas (≤ 50 µm), as quais pelo seu pouco peso permanecerão por mais tempo em suspensão, permitindo o controle de insetos voadores em ambientes fechados ou abertos em condições de calmaria ou inversão térmica. Formulações diluídas em água, aplicadas com pulverizador simétrico, permitirão gotas com diâmetros acima de 110mµ. Gotas geradas de diâmetros
menores serão mais afetadas pela evaporação e/ou deriva. Por este fato aliado ao peso maior daquelas, estas não terão condições de permanecerem muito tempo em suspensão no ambiente.

Entretanto, como o efeito residual de um produto é consequência do tamanho da gota e formulação seu efeito será maior em gotas maiores e/ou formulações de lenta liberação. Em aplicações aquosas de inseticidas, a água entra apenas como diluente para se obter o volume adequado de pulverização e permitir que se obtenha o padrão em diâmetro e densidade de gotas para que o ingrediente ativo seja corretamente distribuído sobre o alvo desejado evitando ao máximo a evaporação e deriva.

DENSIDADE DE GOTAS

Densidade é o número de gotas por unidade de superfície, o que irá corresponder à quantidade de ingrediente ativo atingindo o alvo. Em aplicações de altos volumes de água, praticamente há um molhamento completo do alvo.

Entretanto, para menores volumes de aplicação, a densidade de gotas sobre o alvo torna-se um aspecto importante, uma vez que se pretende um mínimo de deposição do produto de maneira uniforme em toda a área aplicada. A densidade de gotas é função do volume de calda aplicada por área e do tamanho de gotas e este, por sua vez, está ligado à vazão.

A densidade de gotas tem a ver com o do modo de ação do produto (contato, ingestão, fumigação). Se agir por contato vai depender também do hábito do inseto. Os de movimento constante sobre a superfície podem ser controlados com uma densidade menor como as baratas enquanto que os de pouca mobilidade necessitam de uma densidade de gotas maior como é o caso das pulgas e moscas.

Se agir por ingestão um densidade menor consegue controlar pois o inseto estará se alimentando no local onde foi realizada a pulverização. Se agir por fumigação a densidade deverá ser maior pois a área a ser tratada será maior e o inseticida permanecerá por pouco tempo no ambiente.

VOLUME DE APLICAÇÃO

A tendência atual de diminuir o volume de líquido leva à necessidade de gotas menores para melhor cobertura: gotas uniformes, bem distribuídas que podem ser retidas na superfície. A tabela abaixo mostra a densidade teórica das gotas uniformes quando é aplicada na dose de 5l/ha.

Quanto maior o diâmetro da gota menor o número de gotas por área para um mesmo volume aplicado. Assim também, conforme se aumenta o diâmetro da gota, tem que aumentar a quantidade de calda aplicada para manter a mesma quantidade de gotas por área tratada. A diminuição do diâmetro de gotas para aumentar a quantidade não é a solução final para o problema.

Gotas muito pequenas sofrem influência dos ventos e das derivas térmicas.

Estudos mais recentes demonstram que o diâmetro ideal estaria ao redor de 80 a 100 µm pois dão melhor índice de uniformidade de deposição.

A pulverização a baixo volume usa gotas da ordem de 70 µm. O importante é que pouca ou nenhuma deposição é efetuada com partículas menores que 50 µm. Por outro lado, gotas muito grandes podem acarretar desperdício de calda, como por exemplo, escorrimento pela superfície.

A redução do volume de líquido pulverizado leva à necessidade de uma tecnologia mais apurada, tanto da parte do construtor do equipamento, quanto da parte do operacional. Da parte do equipamento, os seguintes pontos devem ser considerados:

a – o desgaste dos bicos altera a vazão e o diâmetro médio das gotas, tornando-se necessário o uso de materiais de alta dureza, ou sistemas sem bicos, como as turbinas atomizadoras. b – a distribuição da vazão e da deposição das gotas fornecida por um equipamento deve ser bem estudada pelo fabricante e pelo usuário, de modo a se atingir o alvo.

c – o controle das dosagens e da vazão do equipamento deve ser mais preciso, o que se consegue seguindo as orientações do fabricante do equipamento. Por outro lado, deve-se notar que o uso de baixo volume é muito mais econômico que as aplicações a alto volume pois, além de não desperdiçar produto, produz melhor cobertura com consequente melhor controle .

Além disso a produção horária conseguida com equipamentos de baixo volume é bem maior que a conseguida por meios convencionais. Quando se usa equipamentos de porte maior que uma costal, por exemplo, pulverizadores tratorizados, é comum o uso de mangueiras de alta pressão com diâmetro e comprimentos variáveis.

O uso destas mangueiras também ocorre com pulverizadores estacionários onde se leva a mangueira a grandes distâncias evitando-se o deslocamento do pulverizador. Nestes casos a pressão é um componente importante pois é ele que vai nos dizer qual o volume de calda usado e o tamanho das gotas esperadas.

Entretanto deve-se levar em conta a perda de pressão para evitar alterações no perfil de pulverização. O quadro abaixo nos fornece este comportamento.

BICOS DE PULVERIZAÇÃO

Nos bicos, o líquido sob pressão passa ao exterior através de um orifício produzindo uma película que se rompe em pequenas gotas. Se o aplicador tiver escolhido e calibrado o tipo correto de bico para seu pulverizador seu trabalho terá bons resultados pois a eficácia com que o produto pulverizado chega ao alvo é função do bico.

O bico de pulverização é um conjunto de peças: o corpo é fixado à barra através de abraçadeira. Ao corpo é presa uma porca (sistema de rosca) com a função de fixar um filtro e uma ponta. O filtro deve reter qualquer impureza. Apesar de seu pequeno tamanho, o bico regula o fluxo do líquido, o tamanho das gotas e a forma da área pulverizada.

Os bicos estão desenhados de maneira que a pressão deve aumentar quatro vezes para que se duplique o fluxo através do orifício. Por esta razão o tamanho do orifício (abertura) e a pressão são características chaves no fluxo, e este pode variar selecionando-se bicos de diferentes tamanhos, ou ajustando-se a pressão.

Em um sistema de atomização convencional, o aumento da pressão aumenta o ângulo de pulverização ou a diminuição do diâmetro do bico reduz o tamanho das gotas e aumenta a largura da faixa de pulverização.

Bico com orifício circular apresenta jato cônico e deposição circular, enquanto que orifícios em forma de rasgo originam jatos em leque e a deposição linear. Alguns bicos apresentam em seu interior dispositivos (dutos helicoidais, caracóis) que dão uma rotação ao escoamento de líquido, produzindo-se variações do tipo de jato e do espectro de gotas (bico cônico).

Quanto à forma do jato os bicos podem ser de jato plano (ou leque), jato cônico vazio e jato cônico cheio. Suas características são indicadas pelo número da ponta. Por exemplo um bico 8002 e um 8003 com uma pressão de 3 bar (1 bar = 14,5 psi ou lb/pol²) e ângulo de pulverização de 80º me fornecem, respectivamente, vazões de 0,79 e 1,2 litros/min.

Com o aumento da pressão há um aumento da vazão, mas diminui o tamanho da gota aumentando a deriva. Ou seja, com pressão maior há um aumento da velocidade das gotas, porem como elas são menores, elas perderão rapidamente esta velocidade aumentando a deriva. Se diminuirmos a pressão, diminuiremos a vazão, aumentando o tamanho da gota, mas diminuindo a cobertura. Encontram-se no mercado os seguintes tipos de bicos:

Cônico: gotas de tamanho entre 50 a 300 mm.

Leque: gotas de tamanho entre 300 a 500 mm.

Defletor: formam gotas de tamanho acima de 500 mm

– Aumenta Pressão = Aumenta o ângulo do jato de pulverização

– Diminui Pressão = Diminui o ângulo do jato de pulverização

 

JATO PLANO COMUM

O jato emitido, na forma de um leque, tem uma forma elíptica estreita, com menor quantidade de líquido nas extremidades. Em função dessa característica, a pulverização dos bicos adjacentes deve sobrepor-se para a obtenção de uma distribuição uniforme de 1/3 de cada lado do jato. As pontas de ângulos maiores produzem gotas menores mas podem operar com espaçamentos maiores ou mais próximas do alvo.

Estes bicos se fabricam em diversos tamanhos e ângulos de aplicação, ainda que os ângulos que se empregam com maior frequência sejam os de 80° e 110°. O bico recomendado para a aplicação de inseticidas residuais é o marcado “8002” ( o que significa um ângulo de 80° e um gasto de 0,2 Usgal/min = 0,76 l/min).

JATO PLANO UNIFORME

Também chamado de jato plano contínuo, promove uma distribuição constante ao longo da faixa de deposição. A largura da faixa de deposição depende do ângulo do jato (80º ou 95º), altura da aplicação e pressão de trabalho, de acordo com as recomendações do fabricante. A numeração dessas pontas segue o mesmo critério das pontas de jato plano comum, acrescida da letra E (even). Estes bicos são desenhados para produzir faixas homogêneas de calda sem necessidade de se sobrepor bandas adjacentes.

BICOS DEFLETORES

Produzem gotas mediante o impacto de um jato de água sobre uma superfície defletora, que produz um padrão de aspersão com um ângulo amplo. As gotas maiores caem sobre os bordos externos da faixa, de forma que o padrão de aspersão não é completamente uniforme. Estes bicos são usados em baixa pressão e se empregam pouco no controle de vetores, exceto, ocasionalmente, para o controle de larvas de mosquitos.

Deverão evitar-se aquelas com orifícios menores que produzem um gasto menor que 0,6 litros/min a 15 psi (1 bar), já que produzirão gotas muito pequenas que podem dissipar-se facilmente

Essa ponta produz um jato plano com ângulo bem aberto (110° a 120°), permitindo maior espaçamento entre elas (até 1 m) ou alturas menores em aplicações de área total. O orifício maior e sua forma arredondada produz menos entupimentos. O perfil de deposição com certo acúmulo nas extremidades, de maneira que há necessidade de uma sobreposição dos jatos adjacentes de 50%, para otimizar a uniformidade em aplicações em área total.

Posicionando-se a ponta a 45° em relação vertical, também há melhoria na distribuição. A faixa de pressão para estas pontas é de 0,7 a 2 Kg/cm2, resultando em gotas grandes com bom controle da deriva. A nomenclatura usual é com a letra “K” seguida de um número significando a vazão em décimos de galões por minuto, à pressão de 0,7 kg/cm2 (10psi = 10 libras): K3 ou TK3 significa uma vazão de 0,3 gal/min (1,14 l/min) à pressão de 0,7 kg/cm2.

BICO DE JATO CÔNICO VAZIO E CHEIO

No cônico vazio o melhor efeito será obtido com gotas de diâmetros na faixa de 80 a 150mµ com pressão de 530 a 700 kPa(80 a 120 psi), diferentemente do que se obtem com os bicos de jato plano ou jato cônico cheio (em desuso), onde as gotas superam o diâmetro médio de 450mµ.

Para se obter o melhor efeito deve-se posicionar a uma distância mínima de 50 cm do alvo para que as gotas geradas tenham o tempo necessário para a sua formação final e a nuvem de gotas possua a turbulência necessária para se conseguir o efeito desejado. O jato produz uma deposição circular com acúmulo de líquido na periferia do círculo e vazio no centro.

O núcleo está rodeado por um ou mais orifícios ou ranhuras. Estes bicos são mais adequados para uma aplicação em folhagens já que as gotas chegam às folhas em várias direções contornando obstáculos e atingir o alvo e não apenas em um plano único como o produzido por um jato plano. É por isto que são as que se usam para o controle de carrapatos.

Estes foram desenvolvidos a partir dos bicos de jato cônico vazio, baseado no conceito errôneo de que quanto maior é o volume melhor é a pulverização, ocasionando o abandono deste tipo de bico de pulverização. A distribuição e deposição de gotas é semelhante ao jato plano, maior deposição no centro e menor nas extremidades. Os bicos de jato cônico cheio tem um furo na sua parte central o que dá origem à forma de cone cheio. As gotas produzidas por esse tipo de ponta são maiores que as do cone vazio.

BICO DE JATO CHEIO

Estes bicos produzem um jato ou corrente delgada de líquido. Seu desenho é parecido ou de um bico de cone, exceto que não tem o núcleo ou rotor.

Estes bicos são usados para a injeção de inseticidas em ranhuras e orifícios para o controle de insetos como baratas e formigas.

 

Fonte: Pragas & Eventos

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