Métodos Químicos e Letais de Combate Aos Ratos – Tudo Sobre Ratos Parte 8

Métodos Químicos e Letais de Combate Aos Ratos – Tudo Sobre Ratos Parte 8

Venenos Agudos

Os raticidas agudos são aqueles que matam os ratos num período de tempo muito curto. Este é um problema em técnicas de controle uma vez que os ratos que não ingerirem a dose letal irão passar mal e relacionarão que esta doença foi causada pela ingestão daquele produto. Em conseqüência não irão mais ingeri-lo, refugando tal produto. É a relação de causa-efeito.

Estes raticidas foram muito usados até a década de 70 e 80, quando o Ministério da Saúde passou a proibi-los em função da ausência de antídoto.

A Resolução Normativa n0 2/78, Diário Oficial de 09/01/79 mantem a proibição de emprego de raticidas domissanitários à base de anidrido arsenioso, alfanaftiltiouréia (ANTU), estricnica, fósforo branco, sais de bário e sulfato de tálio.

Posteriormente a Divisão Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde publicou a Portaria No 12/DIMED de 17 de julho de 1980, publicada no Diário Oficial No 138 de 24 de julho de 1980, onde proíbe a fabricação e a venda de produtos que contenham em sua fórmula, isolada ou associada a substância Estricnina e seus compostos.

Logo após foi publicada a Portaria N0 01/DISAD, de 27 de setembro de 1982, Diário Oficial de 06/10/82 onde proíbe o emprego, fabrico e importação das substâncias raticidas monofluoracetato de sódio (1080) e monofluoracetamida (1081).

De acordo com a Portaria 321 de 1997 do Ministério da Saúde não são permitidas formulações raticidas líquidas, premidas ou não, pós-solúveis, pós molháveis ou iscas em pó.

Isto significa que é proibido fazer iscas usando pó de contato misturado com algum tipo de alimento, entretanto é permitido fazer iscas usando granulado ou blocos com frutas ou outro alimento. Por exemplo, cortando uma laranja ao meio, espremendo em um espremedor manual para fazer uma cova e colocar dentro o granulado, semente de girassol ou pedaços de bloco.

Apesar de sua proibição, o 1080 ainda é um raticida vendido em muitas lojas agropecuárias e usado por muitos armazenadores. Apresenta-se na forma líquida de coloração azulada pela adição de um corante. É um sal altamente persistente no ambiente, por vários anos e sua decomposição em produtos inócuos só ocorre a mais de 1.800oC. Sua vida média é de 50 anos.

Persiste nas cadeias alimentares até o sétimo nível trófico. Por esta razão alguns se denominam Sete Vidas, Seta Belo, Mata Sete, Bola Sete além de outras denominações como Mão Branca, Cachacinha, Era Rato, etc. Todo e qualquer raticida na forma líquida é proibida pelo Ministério da Saúde.

Alguns tentam burlar a lei colocando em sua embalagens números falsos de registro ou o número do protocolo da ANVISA. Também usam colocar que o produto é à base de outros ingredientes ativos sem relação alguma com rodenticidas, como por exemplo o raticida PráRato à base de carbamato. É um raticida líquido que cita como ingrediente ativo um inseticida.

Outros como o Ratofen 70CE traz como componentes de sua formulação hormônio glandular de ratos; extrato de vísceras de ratos; etc. É um raticida na forma de isca mas totalmente irregular e com uma formulação totalmente enganosa. Entretanto são raticidas vendidos indiscriminadamente nas prateleiras por total falta de fiscalização dos órgãos competentes. Colocando em risco a vida das pessoas.

Estes raticidas líquidos têm sua ação no nível de mitocôndrias. O metabolismo do fluoroacetato em fluorocitrato causa a inibição da enzima aconitase no ciclo do ácido tricarboxílico impedindo o transporte de citrato e sua utilização pelas células na produção de energia.

A desativação da aconitase, resulta em decréscimo da produção de energia pelas células causando a morte do organismo, impedindo o transporte de citrato e sua utilização pelas células na produção de energia.

É um produto inodoro, insípido e incolor. De diagnóstico difícil, seu envenenamento só é identificado pela presença de citrato no organismo.

VENENOS ANTICOAGULANTES

A descoberta dos raticidas anticoagulantes, foi, sem dúvida alguma, um importante passo, seguro e eficaz, no controle de ratos. A descoberta do ingrediente ativo se deu por volta de 1930, nos Estados Unidos, quando pesquisadores procuravam identificar a razão de bovinos apresentarem hemorragias.

Foi identificado que havia um produto químico no feno de trevo doce estragado ingerido por estes animais. Este produto foi identificado como sendo o Dicumarol. As indústrias químicas passaram a sintetizar um novo composto denominado Hidroxicumarina, que é o derivado sintético do Dicumarol.

Pesquisas posteriores tentaram demonstrar seu potencial e uma série de derivados sintéticos foram desenvoividos para o tratamento de trombose humana.

Warfarina foi o mais ativo sintético e promissor agente terapêutico e mais tarde sua propriedade como raticida foi reconhecido.

O dicumarol passou a ser usado como raticida até que a superioridade da Warfarina foi demonstrada.

Os benefícios da Warfarina sobre os raticidas agudos foram logo identificados e em poucos anos este composto e outros semelhantes se espalharam pelo mundo.

Ele atua interrompendo o ciclo da vitamina K (K1, K2 e K3) nos microssomos hepáticos.

No ciclo os fatores de coagulação II, VII, IX e X são produzidos como resultado da gama-carboxilação post-transacional de resíduos glutâmicos.

A forma ativa da vitamina K, vitamina K hidroquinona, é necessária como um co-fator neste processo, durante o qual é convertida em vitamina K 2,3-epóxido inativa.

O epóxido é convertido em vitamina K quinona pela enzima epóxido redutase e então retorna a hidroquinona pela atividade de uma terceira enzima, a vitamina K redutase. O anticoagulante inibe a enzima epóxide redutase e bloqueia a reciclagem da forma ativa da hidroquinona da vitamina.

Com este processo de reciclagem bloqueado somente uma dieta de vitamina K está disponível e é insuficiente para manter a síntese do fator de coagulação. Ito significa que a administração de Vitamina K, por exemplo, não resolve o processo de intoxicação, teria que se administrar vitamina K1, kanakion – fitomenadiona.

Algumas vezes após a ingestão de uma dose efetiva, suficientes fatores estarão circulando no sangue para manter a coagulação.

Entretanto estes, eventualmente esvaziam, o mecanismo falha e uma hemorragia fatal ocorre. Isto geralmente leva de 4 a 10 dias. Esta demora previne de os ratos associarem os sintomas da intoxicação com o anticoagulante que o causou, ou seja, a demora na resposta da intoxicação. O que é uma vantagem nos processos de combate uma vez que não relação de causa e efeito.

Este modo de ação traz consigo um importante benefício. O suprimento da forma ativa da vitamina pode ser preservado e a habilidade do sangue coagular é mantido pela administração de grande quantidade de vitamina K1.

Consequentemente isto funciona como um antídoto para uso em casos de envenenamento acidental or hidroxicumarínicos.

Igualmente importante, o modo de ação crônico também permite bastante tempo para o antídoto ser administrado.

As estruturas moleculares dos anticoagulantes e da vitamina K1 são semelhantes. Isto favorece que a vitamina seja deslocada da enzima formadora de protrombina no fígado pelos anticoagulantes, impedindo a coagulação. Além disso, os anticoagulantes provocam permeabilidade dos vasos sanguíneos e a conseqüente perda de sangue.

Resistência a anticoagulantes foi conhecida pela primeira vez na Escócia em 1958, onde ratazanas apresentaram resistência à Warfarina. Numa primeira observação os pesquisadores acharam que a Cumatretalil pudesse resolver este impasse, mas o controle não foi obtido pois as ratazanas também apresentaram resistência a este composto.

Para responder a estas questões, pesquisadores continuaram a investigar moléculas de hidroxicumarínicos. Eles notaram que o análogo 2-cloro da vitamina K, um novo anticoagulante, foi mais ativo contra ratos resistentes. Isto demonstrou que a quebra de resistência a anticoagulantes poderia ser possível e mais adiante se descobriu uma série de moléculas com as propriedades desejadas.

O primeiro composto comercializado, a fim de resolver este impasse, foi o Difenacoum, logo seguido pelo Brodifacoum, este, considerado até hoje, como o raticida mais potente.

O brodifacoum ainda hoje é considerado o raticida mais potente devido à sua baixa DL50, as três espécies de ratos (Rattus novergicus, Rattus rattus e Mus musculus) precisam ingerir uma pequena quantidade para atingirem a dose letal, o que não acontece com os demais, onde os ratos precisam ingerir, pelo menos, cinco vezes mais para atingirem a mesma dose letal.

É o raticida mais letal para ratos devido a ser o de menor DL50 existente no mercado, mas não o é para animais domésticos conforme observamos no quadro abaixo (Dubock, 1980; William et al., 1981)

Para o homem não é possível ocorrer intoxicação pois os raticidas atualmente, por determinação do Ministério da Saúde são obrigados a apresentar em sua formulação uma substância amargante, o Benzoato de Denatonium, que impede a ingestão do raticida. É um amargante, não um vomitivo.

Hoje, o mercado está repleto de raticidas, com os mais variados princípios ativos. Assim temos o Brodifacoum, Difenacoum, Difetialone, Bromadiolone, Flocoumafen e outros. Todos estes são ingredientes ativos, cujos produtos comerciais matam os ratos. Mas, desde que ingiram sua respectiva dose letal. E aí é que reside a principal diferença entre os raticidas, sua DL50.

Quanto menor a DL50 mais eficaz é o raticida, pois o rato precisará ingerir menos produto para que o efeito de morte venha a ocorrer. Este é um aspecto importante, principalmente quando queremos realizar o controle em áreas onde a oferta de alimentos seja muito grande.

Podemos avaliar melhor esta situação se observarmos que um rato precisa ingerir, por dia, alguma coisa ao redor de 10% de seu peso. Além disto os ratos (Rattus novergicus e Rattus rattus) fazem de 4 a 5 ingestas de alimento por noite. Assim, se o rato tem 250g ele precisará ingerir, por dia, 25 gramas de alimentos. Como ele faz de 4 a 5 ingestas por noite, isto significa que, eles irão ingerir ao redor de 5g de alimentos por vez.

Se estivermos usando um raticida, cuja dose letal seja de 5,6g, isto significa que este rato terá que deixar de ingerir uma parte do alimento ao qual já está adaptado para ingerir a quantidade certa de veneno para se intoxicar.

Estes raticidas, com alta DL50, também poderão causar intoxicações nos ratos, se estes ingerirem pequenas quantidades do raticida, todos os dias, até atingirem a dose letal. Isto causa uma certa dificuldade de controle, pois se eles deixarem de ingerir o produto antes de atingirem a dose letal, este será metabolizado anulando o efeito letal e teremos que recomeçar o processo.

Entretanto, se usarmos um raticida que tem uma baixa DL50, este mesmo rato só precisará ingerir ao redor de 1,3g para atingir a dose letal. Assim, o rato não precisará alterar sua dieta normal, pois precisará ingerir apenas uma pequena quantidade de veneno para morrer.

Estas diferenças estão bem caracterizadas na tabela abaixo, definidas por vários autores em termos da quantidade necessária de isca comercial pronta, suficiente para matar 50% da população exposta (DL50): Kaukeinen e Rampaud, 1986; Grand, 1976; Thompson, 1986; Léchevin, 1987; Johnson & Scott, 1986.

Marion-Jane Pate, (1989) coloca que: “um rato precisa ingerir apenas 1,4 g de brodifacoum para morrer e que a dose letal para camundongo é de 0,2 g. Esse efeito de uma só ingestão obtida o torna adequado para instalações rurais onde os roedores se alimentam em vários lugares, mas nunca em apenas um por muito tempo. Por outro lado as técnicas de aplicação deste tipo de raticida (a cada 7 dias) permite economia de raticida, mão de obra e tempo”.

Na década de 80 alguns trabalhos foram realizados, por pesquisadores, para tentar resolver problemas relacionados à resistência de ratos a alguns raticidas de segunda geração.

Trabalhos foram feitos para se verificar a ação do Brodifacoum nestes ratos. Estes testes foram feitos com produto comercial à base de Brodifacoum. Neste sentido Greaves et al., (1988); Lund (1984) relatam que os melhores resultados de controle de ratos se têm com Brodifacoum por não apresentarem resistência a este.

Lund, (1984) refere ter conseguido a melhor taxa de mortalidade com Brodifacoum e só conseguiu controlar Mus musculus resistente a Bromadiolone usando Brodifacoum a 0,005%.

Greaves et al., (1988) testando raticidasna zona rural, conseguiu os melhores resultados com Brodifacoum a 50 ppm. Foi o mais eficaz e o único que resultou em 100% de controle em todas as fazendas e o de melhor relação custo-benefício.

Raticidas de primeira geração

Durante o período de 1950-1970 muitos anticoagulantes foram comercializados sob a denominação de primeira geração. Eram produtos que os ratos tinham que ingerir em doses consecutivas até que o efeito de morte se estabelecesse. Isto criava certa dificuldade no controle, uma vez que estes raticidas tinham que ser repostos nos pontos de iscagem por vários dias seguidos.

Caso o rato não ingerisse o raticida seguidamente não haveria interrupção no ciclo da vitamina K, com conseqüente morte, em função dos ratos terem metabolizado o raticida ingerido antes de chegar à dose letal.

Exs.: Clorofacinona, Cumacloro, Cumatetralil, Difacinona e Warfarina.

Raticidas de segunda geração

Resistência a anticoagulantes foi conhecido pela primeira vês na Escócia em 1958, onde ratazanas apresentaram resistência à Warfarina. Numa primeira observação os pesquisadores acharam que a Cumatretalil pudesse resolver este impasse, mas o controle não foi obtido pois as ratazanas também apresentaram resistência a este composto.

Para responder a estas questões, pesquisadores continuaram a investigar moléculas de hidroxicumarínicos. Eles notaram que o análogo 2-cloro da vitamina K, um novo anticoagulante, foi mais ativo contra roedores resistentes. Isto demonstrou que a quebra de resistência a anticoagulantes poderia ser possível e mais adiante descobriu-se uma série de moléculas com as propriedades desejadas.

O primeiro composto comercializado foi o Difenacoum e logo seguido pelo Brodifacoum. Na França tinham inventado uma série de álcoois análogos à Warfarina, onde um deles, o Bromadiolone, foi introduzido como um raticida. Mais tarde mais duas moléculas, Flocoumafen e Difetialone, foram acrescidas à lista de compostos que ficaram conhecidos como anticoagulantes de segunda geração.

Formulações de raticidas:

Uma formulação raticida é formada de uma percentagem de ingrediente ativo, veneno propriamente dito, e um veículo sobre o qual ele é formulado. Este veículo tem a finalidade de ser atrativo ao olfato e paladar dos ratos, assim, quanto mais palatável e com odor mais agradável, maiores serão as chances de consumo. E este é o princípio da desratização.

Ofertar o maior número possível de iscas de forma que os ratos tenham acesso a ele e que seja ingerido por ser palatável e de odor agradável.

Deve-se ter em conta que substância desagradáveis podem impregnar o raticida impedindo seu consumo (perfume, nicotina, gasolina, óleo, inseticidas, etc.).

É lenda que o odor humano nas iscas, pelo fato do indivíduo te-lo segurado irá afugentar os ratos. Isto não é verdade pois se o fosse, estes não iriam buscar alimentos de fontes humanas. O que pode ocorrer é que o operacional possa ter tido contato com substâncias desagradáveis que possa causar refugagem ao raticida.

Iscas peletizadas

Grãos cereais inteiros, quebrados ou moídos produzem excelentes iscas raticidas e são largamente usados por pequenas e grandes empresas de formulação.

Uma das formulações mais comumente usadas é na forma peletizada. Estas formulações são para serem usadas em áreas internas ou externas secas. Estas iscas são produzidas com a mesma tecnologia empregada na produção de ração animal.

Cereais finamente moídos são misturados com um ingrediente ativo concentrado e forçado sob alta pressão através de um molde. O tamanho deste molde determina o tamanho e forma do produto terminado. O calor é empregado para alterar a composição bioquímica da mistura até que esteja firmemente aderida após extrusão.

Os pellets são geralmente muito palatáveis porque contem uma alta proporção de cereais e o ingrediente ativo está uniformemente dispersado através do grão matriz. Sua aceitação pelos ratos é também influenciada por seu tamanho, forma e dureza.

Estes pellets melhoram sua atratibilidade na medida em que são formulados com um mix de cereais. Hoje temos iscas formuladas com cereais nacionais o que melhora seu consumo.

Por força de lei, estas iscas devem apresentar-se coloridas, através do uso de corantes orgânicos. Entretanto a cor, para efeito de controle, não é um fato significativo uma vez que os ratos tem uma visão para cores muito simples, enxergando em tons de verde, azul e ultravioleta e não fazem a combinação desta cores, a cor vermelha, para eles não existe.

Tanto que é possível ter uma luz vermelha em um ambiente para se estudar o comportamento de ratos que esta não os afungentará. As demais cores não são percebidas por eles – PARTE 04).

A alegação de que determinadas cores possam ser mais atrativos a crianças por causar uma confusão com alimentos (doces, balas) é inconseqüente, uma vez que alimentos desta natureza se apresentam das cores mais variadas.

Atualmente a segurança no uso de raticidas aumentou, uma vez que além do benzoato dde denatonium uma empresa nacional passou a impregnar seus raticidas com um corante orgânico de alerta. Ou seja, qualquer animal e pessoas que colocarem o raticida na boca estas ficarão com a língua esverdeada identificando a ingestão.

Ele funciona diferente do benzoato de denatonium, uma vez que este impede a ingestão e só é percebido pelos seres humanos, o corante mostra quem ingeriu e serve para todas espécies animais. É um sinal de alerta.

Por exemplo, suponhamos que em uma escola tenha sido realizada uma desratização e por alguma razão os envelopes de raticidas foram parar na caixa de areia das crianças. Estas, por curiosidade, abriram os envelopes e colocaram o raticida na boca. As professoras sem saber quem comeu ou colocou o raticida na boca levou todas as crianças para o hospital para exames.

Se tivesse o corante bastava olhar a língua para ver quem devceria ir para o hospital. Com isto diminuiria o stress das rianças, dos pais, se ganharia tempo e se agilizaria o atendimento por serem menos crianças.

Algumas iscas são formuladas com grãos integrais impregnados do ingrediente ativo o que diminui sua eficácia uma vez que, através do atrito dos grãos dentro da embalagem desprende o ingrediente ativo dos grãos, deixando à disposição dos ratos apenas os grãos integrais.

Um adesivo pode ser necessário se grãos inteiros forem usados na conjunção com pós concentrados. Este adesivo é, geralmente, um óleo o qual serve para unir o pó ao cereal. Entretanto, este óleo pode ficar rançoso rapidamente diminuindo sua palatabilidade.

Algumas outras iscas ainda são formuladas na forma de farinhas ou grão quebrados. Não são formulações muito aceitas pelos ratos pelo seu hábito de se alimentar. Nestas situações eles teriam que mastigar a isca o que dificulta seu consumo. Por esta razão as iscas melhores aceitas são aquelas em que os ratos tem que roe-las.

Apesar da preocupação das empresas em se formular iscas o mais atrativo possível, muitas vezes temos que adicionar algum outro composto para torna-la mais atrativa, pois não devemos nos esquecer de que estamos tratando com seres vivos e que seu comportamento não segue um padrão.

O uso de uma determinada isca em um local que tenha um excelente controle poderá não surtir o mesmo efeito no vizinho, mesmo que tenhamos usado as mesmas técnicas. Inúmeras variáveis podem ser responsáveis por esta diferença. Mas podemos diminuir esta dificuldade palatabilizando a isca através de produtos que estejam sendo consumidos no local.

Podemos acrescentar frutas como banana ou mamão; podemos coloca-las dentro de laranja lima; podemos acrescentar óleos animais como de sardinha; essência de morango, baunilha ou outro; podemos, ainda mistura-la com carne moída cozida em um moedor de carne na proporção de 3kg de raticida peletizado com 1kg de carne.

Não esquecendo de que estas iscas não podem ficar umedecidas por muito tempo, pois irão mofar e estragar. Desta forma estas iscas palatabilizadas não poderão ficar expostas por mais que 48 horas.

Sementes de girassol

Surge no mercado de raticidas uma nova formulação e que está tendo resultados muito bons. São as sementes de girassol com raticida impregnado na casca e/ou no miolo da semente também chamada de tulipa.

Alguns raticidas apresentam a impregnação do ativo apenas na casca o que não garante a eficácia do produto uma vez que os ratos e camundongos abrem as sementes para comerem o miolo (=tulipa). Por esta razão funciona melhor aqueles que têm o ativo impregnado não apenas na casca, mas também no miolo.

No plano alimentício, o girassol era considerado como essencial e pequenos biscoitos eram comidos a fim de aliviar instantaneamente a fatiga. Para alguns povos, o girassol era o alimento do guerreiro.

As sementes de Girassol contêm de 20 a 25% de proteínas bem equilibradas quanto à sua composição em aminoácidos, particularmente rica em isoleucina e triptofano, dois aminoácidos essenciais. Ela tem também uma boa presença em metionina e em cisteína, dois aminoácidos deficientes tanto no milho como na soja.

As sementes de Girassol contêm também muito Fe, Ca, P, Na e K, vitaminas B (tiamina, riboflavina e niacina), beta-caroteno, precursor da vitamina A e da vitamina E, os tocoferóis. Dentre todos os óleos vegetais, o de o Girassol contém a maior proporção de alfa-tocoferol, a forma mais ativa da vitamina E.

O atrativo dos Girassóis para os abelheiros, os pintassilgos, os gaios azuis e todos os tipos de alados é completamente irresistível e eles não hesitam a entrar nas casas para roubar as preciosas sementes protéicas.

A semente de girassol pode ser considerada como altamente energética, contendo de 3691 a 5004 kcal EM/kg e com teores de extrato etéreo variando de 19,9 a 43,4%.

Esta riqueza de material nutritivo (energético e fibroso) fazem com que as sementes de girassol tenham uma grande aceitabilidade no mercado como raticidas: teores de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), energia bruta (EB), fibra bruta (FB), cálcio (Ca), fósforo (P) e extrato etéreo (EE=total de gordura) da semente de girassol (matéria natural): MS (%) 93,10 PB (%) 21,75 EB (kcal/kg) 6218 FB (%) 15,51 Ca (%) 0,33 P (%) 0,72 EE (%)39,89 Análises realizadas no Laboratório de Nutrição Animal da UEM/DZO

Iscas parafinadas

Esta formulação tem a finalidade de suprir as desvantagens que as iscas peletizadas oferecem como, por exemplo, a colocação de iscas nas áreas externas úmidas ou sob o efeito de chuvas ou em áreas altas infestadas por ratos de telhado.

Pelo fato destas iscas serem formuladas em um bloco de parafina esta passa a proteger o fator de atração ao paladar e olfato (ração ou grãos integrais) e o ingrediente ativo.

Estes produtos também são compostos de cereais inteiros quebrados ou moídos, mas contem uma proporção substancial de parafina, cerca de 15 a 40%. Eles são produzidos por diferentes formas.

Alguns são fundidos em um molde após todos os ingredientes terem sido derretidos juntos, outros são feitos por um processo de briquet e um terceiro tipo é manufaturado por extrusão. Este é um problema que os fabricantes sofrem.

Se colocar mais parafina o bloco resiste mais às intempéries mas diminue a palatabilidade. Se colocar de menos dimiue a resistência ambiental e aumenta a palatabilidade. O problema é saber quanto colocar de forma que resista às variações ambientais e mantenha boa atratibilidade.

Eles são produzidos por diferentes formas. Alguns são fundidos em um molde após todos os ingredientes terem sido derretidos juntos, outros são feitos por um processo de briquet e um terceiro tipo é manufaturado por extrusão.

O processo de produção influencia as propriedades dos blocos. Os blocos feitos através de uma matriz de cereais finamente particulada fundida em um molde tende a resistir melhor à umidade que aqueles feitos por compressão e que contem partículas de cereais inteiros.

Estes blocos parafinados fundidos passam a ter uma persistência maior no ambiente na medida em que são formulados com ração a qual fica totalmente protegida pela parafina.

Aqueles produzidos por compressão, formulados com grãos integrais tem uma persistência ambiental diminuída em função de que os grãos expostos absorvem com maior intensidade a umidade. Em função disto, os grãos aumentam de volume rompendo os blocos.

Verifica-se, algum tempo após, que os blocos feitos de grãos integrais rompem em pouco tempo. O que não acontece com os feitos de ração finamente moídas.

Estes blocos são perfurados no centro para facilitar seu uso. Quando realizamos o controle nas áreas externas em tocas ou realizando um cordão sanitário, ou desratizar montes de lenha ou pedra ou nas áreas de plantio, podem ser amarrados a uma estaca através de um arame.

Também podem ser usados quando queremos realizar o controle de ratos do telhado. Estes blocos podem ser amarrados no madeirame de sustentação das telhas.

O ato de amarrar os blocos também tem o sentido de economia uma vez que a cada semana puxamos o fio para ver como está o consumo. Se o bloco não estiver amarrado como saber se está sendo consumido?

Bloco resinado

Entrou no mercado uma nova formulação que são os blocos resinados cuja técnica de fabricação é praticamente a mesma dos blocos parafinados. A diferença reside na ausência de parafina e o tipo de cereal usado.

Todo raticida tem um ingrediente ativo, o veneno, que é quem vai fazer o efeito de intoxicação nos ratos, este ativo pode ser o brodifacoum, bromadiolone ou outros. Para este ativo ser agregado à formulação comercial ele precisa ser diluído em um solvente orgânico (normalmente derivado de petróleo).

Entretanto nestes blocos resinados se usa uma microemulsão (nanoemulsão) em água para agregar o ativo à formulação raticida. Com isto exclui odores e paladares característicos de solventes orgânicos.

A parafina em sua formulação foi substituída por resinas vegetais como aglomerante. Produtos renováveis que não agridem o ambiente e melhoram a palatabilidade do raticida tanto pela ausência de cheiros de solvente orgânico como pela presença de substâncias vegetais.

Outro diferencial neste bloco resinado é o uso de alpiste como atrativo. Por ser praticamente impermeável ele não absorve a água do ambiente inchando e rompendo o bloco como acontece nos parafinados que usam cereais integrais.

Formulação extrusada

A extrusão é um processo mecânico de produção de componentes de forma semicontínua onde o material peletizado ou em pó é compactado e fundido formando uma carga altamente viscosa que é forçado em alta pressão através de uma matriz aberta projetada para a peça que molda a sua forma. O perfil fundido é resfriado para obtenção do produto final.

Processo de cozimento à alta pressão, umidade e temperatura, em curto espaço de tempo.

O amido é o principal componente energético dos grãos de cereais (55 a 77%) e no processo de extrusão, devido a suas características, contribui na expansão e coesão do produto final, além de ser gelatinizado a uma temperatura de 50 a 80°C “Short time, high temperature: 7 a 30 s. 138 a 150ºC.

A extrusão permite a obtenção de formas e texturas diferentes além de aumentar a biodisponibilidade de alguns nutrientes.

Em função de sua construção sólida e resistente, a geometria da matriz não se altera pelo uso contínuo, tendo assim uma vida útil longa. Os produtos extrudados tem secção transversal constante com dimensões bastante precisas, podendo no caso de peças compridas serem cortadas ou fatiadas de acordo com a necessidade de uso.

Neste, a formulação é submetida à alta temperatura (±105ºC), umidade e pressão em uma máquina chamada extrusora. Nela existe uma rosca sem-fim, onde a formulação é forçada através de uma matriz que dá a forma.
Após, a formulação é então cortada e é submetida a um processo de secagem, onde a temperatura diminui e a umidade é retirada até atingir cerca de 12%.

O processo de extrusão é executado de duas maneiras distintas dependentes da temperatura e da ductilidade.

A primeira é a extrusão a quente, e a segunda extrusão a frio. A extrusão a quente, é onde o produto é injetado a alta pressão e temperatura numa forma vazada ou passa através de um molde de injeção contínua, tomando a forma de peça sólida semi acabada ou também a forma de vergalhão, para ser cortado (fatiado) no comprimento desejado.

A extrusão a frio é semelhante ao processo de extrusão a quente e é a ductilidade do material a ser trabalhado o principal parâmetro na escolha do processo.

Alguns casos podem exigir extrusões a quente e a frio no mesmo processo. Após a mistura executa-se a extrusão que, no começo do cone de extrusão e conformação, é aquecido e logo em seguida resfriado para que se evite escamas na peça.

Estamos falando de massas muito viscosas como pedras sanitárias ou sabão em pedras, esta peça “contínua” deve ter controles rígidos destas temperaturas que, em função de temperatura ambiente, deve ser ajustada regularmente.

Ductilidade

É a propriedade que representa o grau de deformação que um material suporta até o momento de sua fratura. Materiais que suportam pouca ou nenhuma deformação no processo de ensaio de tração são considerados materiais frágeis. Isto é quando por exemplo um plástico é rasgado ao meio, esse processo entre estica-lo até rasga-lo é chamado de ductibilidade.

Um material dúctil é aquele que se deforma sob alta tensão, se esticando até se romper. O oposto de dúctil é frágil, quando o material se rompe sem sofrer grande deformação.

Este fato é de extrema importância para a indústria, que pode trabalhar com um material em sua condição dúctil e, após isto, trata-lo termicamente para que atinja as propriedades finais.

Formulações prensadas:

São formulações que usam a parafina, em quantidade suficiente apenas para repelir a água. Por isto, a porcentagem de parafina é usada em menor quantidade quando comparada às formulações tradicionais.

Para dar consistência e forma à isca, utiliza-se apenas o efeito mecânico das prensas hidráulicas. Nestas o efeito calor não está presente preservando assim a integralidade as propriedades organolépticas dos atrativos que fazem parte da isca.

Com a tecnologia da chamada “prensa hidráulica”, o produto é processado de forma mais lenta e sem aquecimento retendo a maioria dos nutrientes.

Durante o processo de produção de alimentos prensados as temperaturas se mantem mais baixa. Graças a esta temperatura baixa as matérias primas de alta qualidade se otimizam e todas as substancias nutritivas importantes se conservam.

Também existem ingredientes que não suportam altas temperaturas, já que perdem sua funcionalidade durante o processo. Graças às temperaturas mais baixas durante o prensado estes ingredientes funcionais são muito adequados para acrescentar o alimento, ração.

Resumindo

Temos então quatro formulações de blocos: parafinados, resinado, extrusado e prensado. De todos, em função da técnica de formulação o menos indicado é o parafinado pelas características de quantidade de parafina usada. O melhor é o resinado por não usar derivados de petróleo, mas sim resina vegetal aumentando a atratibilidade sem comprometer o formato original. Mesmo que se use mais resina para suportar melhor as condições ambientais não perdem sua atratibilidade.

As outras duas formas de apresentação que também usam parafina, extrusada e prensada, tem diferenças em sua produção e destas duas a mais durável ainda com boa atratibilidade é a extrusada.

Isca fresca

Trata-se de uma isca raticida aderente em massa, composta por uma mistura de atrativos de cereais floculados, entre eles a semente de girassol, liquidas com viscosidade, que contribuem para a umectação e atratividade, além destes componentes atrativos entra na formulação uma mistura de conservantes, umectantes e o ingrediente ativo anticoagulante de dose única.

Essa formulação compõe uma isca raticida aderente para ser fixada em pontos estratégicos, não ficando solta, evitando assim a sua remoção durante a limpeza do local.

A floculação consiste no tratamento térmico que muda a estrutura quimica do amido, tornando-o mais acessível para o animal. A floculação incorpora água ao grão, fazendo com que o amido amoleça (gelatinize).

O flóculo deve ser oferecido “fresco” (máximo 24 horas), se não volta ao estado original (reacomodação das moléculas).

O amido é o principal componente energético dos grãos de cereais (55 a 77%), consistindo em importante fonte de energia.

Depois de peneirado, os grãos são jogado dentro da câmara de vapor, onde permanece durante 30 minutos sob temperatura mínima de 96ºC. O tempo de vaporização é regulado pela barra de alimentação de grãos. Pequenas mudanças nessa barra alteram drasticamente a aparência do flóculo, pois mudam o tempo de vaporização.

Após o cozimento, faz-se a prensagem dos grãos por meio de rolos metálicos, que os transformam em finas placas, quebrandoo a matriz protéica que envolve seus grânulos do amido. Uma boa calibragem dos rolos por meio da mola de pressão é fundamental para se obter flóculos na densidade correta.

Pó de contato Esta é outra formulação existente no mercado, formulada com raticidas de primeira geração e por isto de consumo sucessivo por alguns dias para que seu efeito se manifeste.

São usados nas trilhas ou na entrada das tocas ou ao redor de fontes de água e/ou alimentos. Sua utilização se baseia na propriedade que os ratos tem de se lamber e uns aos outros ao chegarem nas tocas quando se intoxicam.

Estes ratos passando por sobre este pó ficam impregnados com o mesmo. Se esta impregnação for feita na saída das tocas eles levarão este pó aos locais por onde passarem podendo contaminar alimentos.

Isto poderá ser um risco para pessoas e animais domésticos, podendo causar intoxicações. Por esta razão empresas produtoras, por força de lei, deixam claro em suas embalagens que este produto não poderá ser utilizado onde existam animais domésticos.

Estes produtos são altamente concentrados, na ordem de 0,75% ou 1% de ingrediente ativo, enquanto que os pellets, sementes de girassol e blocos parafinados e resinados são formulados a 0,005%.

 
Fonte: Pragas e Eventos

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